Mulheres Inspiradoras da Arquitetura: Norma Sklarek

Atualizado: 11 de Dez de 2019


Nesta série especial, a Móveis Perfect destaca algumas das grandes arquitetas da história, que enfrentaram barreiras, como o machismo, a falta de reconhecimento e a desigualdade de gênero, mas, mesmo assim, deixaram um legado que merece ser reconhecido e nunca esquecido.


Com esse ato, reconhecemos a importância da mulher na história da humanidade, algo que muitas vezes é diminuído ou apagado. Da mesma forma, incentivamos todas as mulheres que hoje buscam seu espaço no mercado de trabalho, principalmente em setores majoritariamente masculinos.


Nossa primeira personagem é uma das pioneiras da área, a qual homenageamos no último Dia Internacional da Mulher:



A vida da arquiteta Norma Merrick Skalarek é marcada por números um. Revolucionária, ela foi a primeira mulher afro-americana a alcançar a licença de arquitetura, em 1954. Para chegar lá, enfrentou diversas adversidades em uma época onde mulheres e negros não obtinham as mesmas oportunidades e o reconhecimento devido em relação aos profissionais homens e brancos. Cenário que ainda hoje é presente, mas, na época, era majoritariamente esmagador.


Assim, ela quebrou o paradigma quando se tornou uma das duas únicas mulheres em sua turma de formandos no bacharel em arquitetura, em 1950, na Universidade de Columbia, em Nova Iorque, Estados Unidos. Ou quando foi a primeira mulher negra a ganhar a licença de arquitetura no estado da Califórnia, em 1962, e a ser eleita ao Instituto Americano de Arquitetura (AIA) - a maior titulação concedida pelo grupo profissional -, em 1966.



SUA INFÂNCIA*


Nascida em 15 de abril, 1926, em Harlem, Nova Iorque, Sklarek era filha única de Walter Ernest Merrick, médico, e Amy Merrick, costureira, ambos eram imigrantes de Trinidad. Ela cresceu em Harlem e Brooklyn (bairros de classe baixa e imigrantes), e frequentou escolas com o predomínio de estudantes brancos e uma escola pública seletiva só para garotas, onde ela se destacou em matemática e ciência e demonstrou talento para belas artes. Ela tinha uma relação particularmente próxima ao pai, com quem passava tempo pescando, pintando casas e fazendo carpintaria. Sua aptidão para matemática e artes levaram seu pai a sugerir arquitetura como carreira.


Ela frequentou a Faculdade de Barnard por um ano (1944-45), ganhando o mínimo de um ano de educação em artes liberais, um pré-requisito para admissão na Escola de Arquitetura na Universidade de Columbia. Por sua conta, a experiência foi difícil; muitos de seus colegas de aula eram veteranos da 2ª Guerra Mundial, alguns tinham bacharéis ou mestrados, e eles colaboravam em atribuições, enquanto ela viajava diariamente para a escola e batalhava para finalizar seu trabalho no metrô ou sozinha em casa. Como ela diria mais tarde, “A competição era afiada. Mas eu tinha uma atitude 'manter-se firme' e nunca desistir".


*Está parte do texto é uma tradução livre do texto do projeto “Pioneering Woman of American Architecture”, da Beverly Willis Architecture Foundation. Para lê-lo na íntegra em inglês, acesse aqui.



A ARQUITETA PIONEIRA

(Foto: Gruen Associates)

Em uma profissão e um mundo dominado por homens, suas primeiras experiências pós-faculdade demonstraram que não seria fácil conquistar o seu espaço. Tanto que, na busca por emprego, foi rejeitada 19 vezes. “Eles não estavam contratando mulheres ou afro-americanos, e eu não sabia qual dos dois estava trabalhando contra mim”, disse ela durante uma entrevista em 2004.


Ao finalmente ser empregada, enfrentou a discriminação de seu primeiro chefe, que designou tarefas insignificantes, como o design do layout de banheiros, além de tratá-la diferentemente de outros profissionais. Em sua segunda firma, a Skidmore, Owings & Merrill (SOM), ganhou mais responsabilidades em projetos de larga escala, isso enquanto encarava a difícil tarefa de ser mãe solteira de duas crianças, após dois divórcios.


Em 1960, depois de cinco anos na SOM, ela se mudou para Los Angeles, onde um de seus filhos estava morando, para ingressar na Gruen Associates. Lá, ela reviveu a avaliação extra de seu trabalho pelo supervisor, pois novamente era a única mulher negra na empresa. Mas, seu talento fez com que crescesse à posição de diretora de arquitetura da Gruen, responsável por contratar e supervisionar a equipe de arquitetos, além de coordenar os aspectos técnicos de grandes projetos. Ou seja, seu papel era transformar o design em realidade, tanto que considerava a produção o real trabalho.


“Arquitetura deveria trabalhar em aprimorar o ambiente das pessoas em seus lares, em seus espaços de trabalho, em seus locais de lazer. Deveria ser funcional e agradável, não somente em imagem ao ego de um arquiteto”.
Norma Merrick Skalarek

Foram provações e múltiplas negações a um talento que, anos depois, seria lembrado pelo desenvolvimento de grandiosos projetos e marcos da arquitetura moderna, como o Pacific Design Center, o Terminal 1 no Aeroporto Internacional de Los Angeles (projetado para a Olimpíada de Verão de 1984) e a embaixada americana em Tokyo, Japão (fotos abaixo).



Seu trabalho e legado encontram-se principalmente em prédios de grande porte, como shoppings, prédios comerciais, hotéis, hospitais e apartamentos de moradia. Ou seja, projetos que demonstram seu conhecimento em alta tecnologia, engenharia de última geração, construção e sistemas eletrônicos.


Em 1985, ela foi a co-fundadora - com Margot Siegel and Katherine Diamond - do escritório de arquitetura Siegel-Sklarek-Diamond, um dos mais grandiosos escritórios dirigido totalmente por arquitetas mulheres nos Estados Unidos. Alguns anos depois, após passar por outras empresas, em 1992, se aposentou do posto. Mas não abandonou seu espaço de inspiração na área.


As parceiras Norma Merrick Sklarek (centro), with Margot Siegel (esqueda) and Katherine Diamond (direita). (Foto: Divulgação)

Sua marca manteve-se viva também pelos ensinamentos que forneceu à vida acadêmica, na qual foi professora adjunta em diversas universidades, como UCLA, na Califórnia, e criou uma carreira. “Na arquitetura, eu tive absolutamente nenhum modelo de incentivo. Sou feliz por ser hoje um modelo profissional para outros que seguem”, sempre deixou bem claro.


Depois de um longo caminho percorrido e uma vida de grandes realizações e lideranças, em 6 de fevereiro de 2012, aos 84 anos, Norma faleceu em sua casa na Califórnia.


Para conhecer mais sobre a história dessa grande mulher, ninguém melhor do que ela mesma para contar. Assista a série de vídeos de uma entrevista exclusiva ao Visionary Project, acesse aqui.

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