Bauhaus: 100 anos de revolução e design

Atualizado: 11 de Dez de 2019


Aula em um dos ateliês de pintura da Bauhaus, em 1925.

Em abril deste ano, celebrou-se o centenário de um dos grandes marcos da história do design, a criação da escola Bauhaus, pelo arquiteto alemão Walter Gropius. Com a nomenclatura que significa “casa da construção”, seu principal intuito foi restabelecer o laço entre criatividade artística e manufatura, que havia sido quebrado no final do século XIX e início do século XX, em circunstância da Revolução Industrial.


Muito mais que isso, ela se tornou um referencial nos movimentos modernistas nas áreas do design, artes, arquitetura e até tecnologia, em virtude de seu espaço experimental e artístico, berço de inovações na linguagem estética. Assim, desempenhou um importante papel na aprimoração das condições de vida da sociedade por meio do design moderno, isso em uma era na qual a população estava cada vez mais urbana e industrial.


Em um equilíbrio entre praticidade modernista, produção de vanguarda, e dimensão política e social, a instituição foi uma quebra na metodologia tradicional, um marco na história humana e um incentivo da importância da colaboração criativa.


“De repente, eu me dei conta de que teria que participar de algo completamente novo que iria mudar as condições em que eu vivia antes. E para que isso realmente se realizasse, não poderia ser feito por um homem sozinho, mas por toda uma escola”, Walter Gropius.

Em reação de reconstrução de uma Alemanha pós 1ª Guerra Mundial, tudo iniciou-se em 1919 na cidade de Weimar (que viria a ser chamada de República de Weimar até a 2ª Guerra Mundial), uma localidade de forte influência do iluminismo alemão. Em 1925, a escola mudou-se para Dessau, onde construiu o icônico prédio envidraçado, projetado por Gropius em conjunto com professores e estudantes, além das vilas com moradias para todos os docentes.


Primeiro prédio sede da escola, de 1919 a 1923.

Segundo prédio sede da escola, projetado pelos integrantes.

Novamente, forçados por autoridades policiais, a escola foi obrigada a mudar-se em 1932, seguindo como uma instituição privada, localizada em um prédio onde antigamente funcionava uma fábrica de telefones, em um distrito de Berlim. Seu fim veio em 1933 com a ascensão do nazismo e de Adolf Hitler ao poder. O novo regime político agiu de forma hostil com a academia, acusando-os de forma pejorativa como “marxistas culturais” e “Bolcheviques”, isso levou também à pressão de entregar estudantes e professores judeus ou “esquerdistas”.


Após o término da escola, muitos de seus integrantes se viram obrigados ao exílio, o que fez com que os ideais da Bauhaus fossem espalhados por todos os cantos do globo, tornando-as ainda mais conhecidas mundialmente.


Não é para menos, já que ao longo de seu funcionamento, cerca de 1,3 mil estudantes frequentaram a escola, dentre eles muitas nacionalidades e também ambos o gêneros, com a presença marcante de mulheres. Entre seus alunos estiveram muitos artistas, designers e arquitetos de importância e inovação do início do século XX, como Paul Klee, Wassily Kandinsky, László Moholy-Nagy, Josef Albers, Mies van der Rohe e Marianne Brandt.


Todavia, o hoje cada vez mais presente ego e culto à personalidade não eram incentivados pela metodologia escolar na época, muito pelo contrário, as crenças da instituição eram antieletistas, ou seja, voltadas à equidade entre todos os cargos de produção, assim o artista estava no mesmo patamar que o artesão. Ou seja, ninguém estava acima de ninguém. “Vamos então criar uma nova guilda de artesãos sem as distinções de classe que levantam uma barreira arrogante entre o artesão e o artista!”, enfatizou Groupius. Tanto que ele destacava que o bom caráter era tão ou mais importante que o talento.




Legado eterno


Ao longo de 14 anos, a escola se envolveu com diversos projetos, principalmente arquitetônicos, com diferentes enfoques, em virtude da liderança dos três diretores diferentes que passaram pela instituição: Walter Groupies - uma nova arte de construção; Hannes Meyer - questões utilitárias e impacto social acima do estético; e Mies van der Rohe - formação técnica de arquitetos.


Alguns dos resultados foram:

Planta do Total-Theater desenhado por Walter Gropius, em 1927.

Vista sudeste da casa de Walter Gropius, parte das moradias do professores na Bauhaus em Dessau, de 1925-25.

Prédio do bureau de trabalho, no bairro Törten, em 1978.

Esquema isométrico em cores do bairro de Törten por Walter Gropius e Alfred Arnt, em 1926.

Desenho em perspectiva de bar para áreas comuns, Herbert Bayer e Walter Gropius, de 1930.

Suas principais características são até hoje vistas em projetos ao redor do mundo:

Prédio com arquitetura Bauhaus na White City de Tel Aviv

Quando se trata de design, a premissa da união entre funcionalidade e estética eram o foco da metodologia da escola, que incentivava o aprimoramento da estética de objetos cotidianos e industriais (posicionamento herdado do movimento Arts & Crafts - artes e ofícios).


“Uma coisa é definida por sua essência. Para que seja desenhada a fim de funcionar bem - um receptáculo, uma cadeira, uma casa - sua essência precisa primeiramente ser explorada; deveria servir seu propósito perfeitamente, isto é, cumprir sua função de forma prática e ser durável, barata e ‘linda’”, declarou Gropius em 1925.

Alguns exemplos que surpreendem até hoje são:

Club Chair, Marcel Breuer, 1925

Escrivaninha para dormitório, Marcel Breuer, 1938.


Jogo de chá, Wilhelm Wagenfeld, 1924.

Cinzeiro, Marianne Brandt, 1924.

Luminária de mesa, Wilhelm Wagenfeld e Carl Jakob, 1924.

Para saber mais sobre os impactos da Bauhaus na sociedade, assim como, na área artística e de produção, indicamos assistir o vídeo especial do Camarote.21 e DW Brasil:



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